nem mesmo a conclusão preguiçosa ofusca o brilho dessa extasiante aventura investigativa baseada no popular caso de Watergate. a direção de Pakula segue a cartilha básica da cinematografia dos anos 70, sem ousar nem desusar, mas as belas atuações e o roteiro esperto e muito bem condensado garantem a qualidade em níveis estratosféricos. esse é daqueles filmes essenciais para quem procura compreender um pouco a respeito do que realmente é o jornalismo, ainda na época em que sua sobrevivência restava independente das necessidades políticas.
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Boa Noite e Boa Sorte (George Clooney, 2005)
2,5/4
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quem estuda, trabalha ou gosta de jornalismo, provavelmente deve ter conhecimento da importância midiática ao longo do período mccarthista, ou até mesmo dentro do contexto geral da Guerra Fria. é neste contexto que se insere Boa Noite e Boa Sorte, uma obra, acima de tudo, feita com carismática devoção à coragem destes homens que, desestituídos de medo, bateram frontalmente contra os atos cegos da elite política da época, embebida de um patriotismo doentio.
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é um trabalho simpático, de conteúdo intrigante e, mesmo com a falta de um estilo mais solidificado na decupagem (o preto-e-branco da fotografia por si só não quer dizer nada), funcional, principalmente pela densidade e importância do conteúdo apresentado.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Rede de Intrigas (Sidney Lumet, 1976)
um ponto de partida sensacional levemente desperdiçado por algumas subtramas descontextualizadas (praticamente 50% das seqüências com a personagem da Feye Dunaway, por mais importante que seja), mas que consegue se manter em alto nível devido à acidez e à perspicácia de seu mote e, principalmente, pelo uso inteligentíssimo de uma ironia bastante corrosiva (o encerramento é absolutamente fenomenal). a direção de Lumet se mostra bem menos intrusiva do que em 12 Homens e uma Sentença, mas com alguns lampejos de gênio, no final valendo menos do que as sensacionais atuações de William Holden e Peter Finch (este, em trabalho extremamente eficiente e merecidamente laureado com o Oscar). vale como uma grande observação da alienação corporativa midiática do submundo televisivo (que, atualmente, tem uma abrangência muito maior e conscientemente degradativa).A Embriaguez do Sucesso (Alexander Mackendric, 1957)
a inescrupulosidade e a ganância que regem o enxame de abelhas do Quarto Poder são ingredientes dessa maravilha altamente explosiva sobre os bastidores da chamada "imprensa marrom". é impressionante o ritmo alucinante imprimido por detrás da estética simples, quase omissa, contando, para isso, com diálogos rápidos, ácidos, cortantes e certeiros, que pontuam com precisão os pouco mais de 90 minutos da obra - suficientes para a construção de um painel social impecável e extremamente denunciatório. Mackendrick caricaturiza a classe dos colunistas sociais e, ainda assim, consegue transpor realismo a cada frame, auxiliado pelas perfomances impressionantes de Tony Curtis e Burt Lancaster e, principalmente, pela relação desenvolvida entre suas personagens. enquanto uma está completamente embebedada pelo poder, a outra compra a primeira dose, em uma amostragem crassa de pura hipocrisia auto-canibalista. sensacional.
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